8 de out de 2015

Resenha - Vidas Secas

Olá leitores! Tudo bem com vocês? Hoje a postagem tem um gostinho especial, sabem por quê? Hoje, 8 de Outubro é comemorado o Dia do Nordestino! "Eita povo arretado!" Hahaha! Não sou nordestina, mas tenho um carinho enorme pelo Nordeste, não só porque meus pais são Paraibanos, mas porque os Nordestinos são pessoas persistentes e batalhadoras que até hoje sofrem com a seca e com o preconceito, mas mesmo assim são felizes e não desistem nunca! Os nordestinos representam o início da nossa história e a raiz de muitas das nossas culturas. Sem contar nos grandes escritores que o Nordeste nos presenteou! Nomes como: Jorge Amado, Aluísio de Azevedo, Gonçalves Dias, Rachel de Queiroz, Manuel Bandeira, José Lins do Rêgo, Ariano Suassuna, José de Alencar, Graciliano Ramos e muitos outros... Inclusive é sobre uma obra deste último que vamos falar hoje. O livro Vidas Secas é um clássico da literatura brasileira que retrata fielmente a realidade da injustiça social, miséria, fome, desigualdade e seca sofrida pelo povo do sertão nordestino em torno dos anos 1930. Vamos lá?

Sinopse: "Vidas Secas", romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.O estilo seco de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão.






Bom, o livro é dividido em treze capítulos, porém o enredo não é linear, então pode ser lido em qualquer ordem, com exceção do primeiro e do último, já que possuem uma ligação que fecha um ciclo. Vou fazer diferente e falar sobre um pouco dos personagens primeiro:
Fabiano: um vaqueiro pobre e ignorante, que, ao longo da história, oscila seus pensamentos entre ser um homem ou um bicho.
Sinhá Vitória - mulher de Fabiano, sofrida, mãe de 2 filhos, lutadora e inconformada com a miséria em que vivem, trabalha muito na vida e sonha somente com uma confortável cama para descansar após mais um longo dia.
Filhos - crianças pobres sofridas e que não tem noção da própria miséria que vivem. O menino mais novo idolatra seu pai e o tem como referência a ser seguida, como um herói; já o menino mais velho, possui grande curiosidade sobre as palavras, sobre o mundo e sobre tudo o mais que o cerca.
Baleia - cadela da família, tratada como gente, muito querida pelas crianças. Na minha opinião é a estrela da história. A cadelinha literária mais apaixonante que já conheci. Quem é Marley perto da Baleia? Hahaha! Ela tem meu eterno amor <3
Durante a narração, Graciliano descreve a dificuldade e o sofrimento da família em uma jornada sem rumo em meio ao sertão nordestino sonhando encontrar um local que proporcione melhor qualidade de vida, guiada pela esperança. São reféns da pobreza, miséria, exploração, vítimas da ignorância que os marginaliza. A seca e a pobreza ditam suas vidas, retratando a realidade de inúmeras familiar brasileiras.
Diante da jornada, encontram uma fazenda abandonada em meio à seca. Apropriam-se dela. Os sonhos da família florescem. Veem ali, uma nova oportunidade para recomeçarem. Após a chegada do dono, com o início de um clima mais propício ao trabalho no campo, a família passa a trabalhar para ele. Tornam-se vítimas de opressão, humilhação e, sem outras opções, permanecem submissos.
Nesse contexto, vivenciam grandes dificuldades dentro e fora da propriedade, expondo, através delas, vários eventos corriqueiros, característicos de nossa sociedade, como a submissão ao governo corrupto e opressor, opressão dos mais ricos sobre os miseráveis, marginalização, falta de voz e espaço dentro da sociedade, esperança sem fim da realização de simples desejos, privação de necessidades básicas, assim como a importância do laço familiar na renovação das forças e perpetuação da busca pelo ideal.
Descrições características do sertão, como plantas, animais, objetos, assim como a linguagem regional, proporcionam ao leitor maior proximidade e identificação do contexto sócio-cultural, vendo-se inserido diretamente na história, por vezes no lugar de cada um dos personagens durante suas narrativas.
O título da obra remete, sim, à escassez nordestina, mas diz muito mais do que isso: Vidas Secas apresenta vidas rasas, fúteis, que não possuem um propósito de viver de verdade, mas finaliza com a esperança de um novo recomeço!

Então, aproveitando o momento, queria parabenizar todos os nordestinos que acompanham o blog, e dizer que vocês tem meio respeito! “Xero", e até a próxima! ^^

PS: Caso já tenham lido alguma obra de algum dos autores citados no começo da postagem deixem nos comentários o que achou da experiência (estou curiosa rsrs ^^).


10 comentários:

  1. Oi, Bia. Vidas Secas seria um livro que cairia bem para mim agora, já que o ENEM está se aproximando, mas ainda tenho outras prioridades principalmente, pois, geralmente, os clássicos me atrasam muito nas leituras. O livro do Graciliano Ramos me interessou por essa ordem desnatural, ler qualquer capítulo fora de ordem, salvo os primeiro e último. Mas, no geral, o livro não me interessou.

    ResponderExcluir
  2. Oi,
    Ouvi muito falar desse autor. Alguns professores já me indicaram obras dele. Como já disse em outro post, não sou tão animada em relação a clássicos brasileiros, mas O Seminarista começou a mudar minha opinião. Confesso que a história não me interessou tanto, mas quero ler. Acho que aos poucos na leitura posso me interessar.
    Bjs

    ResponderExcluir
  3. Apesar desse livro parecer muito legal, e eu não conhecia, não gosto muito de livros antigos, acho a linguagem tão difícil de entender, mas acho que e só questão de costume, quem sabe algum dia resolvo ler, porém para quem gosta e uma boa indicação de leitura.

    ResponderExcluir
  4. Bom dia!
    Li esse livro agora, quase no fim do ano, por dica dos professores que estavam dando aula para o ENEM, e achei simplesmente maravilhoso. As lições que ele traz e as histórias dos personagens que nos prendem como se fizéssemos parte da história, foi isso que mais em prendeu na leitura. Com certeza eu indico para todos aqueles que querem se prender a uma leitura e conhecer uma outra realidade.
    Abraços

    ResponderExcluir
  5. Oi Bia! Adorei o post! O livro é bem interessante e como muitos falaram bastante histórico e clássico para o ENEM, confesso que não tinha escutada nada sobre esse autor e achei interessante principalmente porque amo ler livros com críticas sociais. Em relação aos outros autores já li dois livros de José de Alencar, que são Lucíola e Iracema, bem clássicos! Já tinha escutado sobre alguns autores que você citou nas aulas de literatura, mas nunca li nenhuma de suas obras por mais que algumas sejam clássicos. Estou querendo investir mais nesse tipo de leitura já que no ano que vem faço ENEM para valer, e portanto sua dica me serviu bastante! Beijos!

    ResponderExcluir
  6. Adorei a sua resenha, mas o livro em si não conseguiu me interessar e acho que seria um livro que não prenderia a minha atenção, mesmo assim obrigado pela dica

    ResponderExcluir
  7. Nunca li nada do autor, na verdade nenhum livro clássico da literatura nacional. Gosto muito de livros em que os autores retratem a vida de pessoas assim, o sofrimento deles, pois nós que estamos longe desses locais e pessoas não imaginamos quão ruim e dura é a vida delas. Com certeza vou ler, mas não agora.

    ResponderExcluir
  8. Bem interessante o enredo pro apresentar um lado que muitas vezes é esquecido em algumas obras. Acho que já o vi em algum outro blog, todavia eu não me lembro em qual foi. Parabéns pela resenha

    ResponderExcluir
  9. Adoro o livro Vidas Secas sem dúvida é leitura obrigatória. Um clássico de nossa literatura.

    ResponderExcluir
  10. Adoro o livro Vidas Secas sem dúvida é leitura obrigatória. Um clássico de nossa literatura.

    ResponderExcluir